Depois de tudo e tanto. Olha eu aqui de novo. Falando das mesmas coisas. Refazendo a mesma cena.
Sentada no canto do mundo, cantando.
Depois de quase secar. Quase sentir. Quase morrer.
Levanto a cabeça, e o que eu olho já não cabe mais no espelho. Extrapola o peito.
Agoniza!
Releio tudo. Receio nunca voltar. E volto.
Repenso, refaço, reconheço. Sinto!
Estraçalho todo dia a minha cara. Sorrio. Encaro as olheiras e só rio.
Não escondo mais nada. Decerto que ainda não vejo tudo. Mas nada do que vejo dou conta de esconder. Só fantasio. Rio de mim e sigo rio montanha a baixo.
A tempestade entrou no meu quarto. Sentei e assisti. A luz intensa não me cega mais.
Sufoco só de pensar.
Soluço, respiro fundo, levanto e sigo.
Levo o espelho, a água e o raio.
Hoje, nada me cega mais que a razão.
E no penúltimo último dia, descanso na tempestade.
Ainda, com tudo, e com tanto.
24/03/2019
31/08/2018
a sensação é que eu dou voltas. me aprisiono no instante de sempre.
eu corro. paro. olho. e o instante é nada.
o ponto de contato é o mesmo ponto da fuga.
às vezes eu fico pensando em como as pessoas conseguem seguir, como se nada fosse.
mas, no fundo, eu sei o quanto a minha arrogância subestima o fato de que o outro pode tá sentindo tudo, vivendo tudo (de fato) e absorvendo tudo.
enquanto eu só sigo. como se nada fosse. e como se o meu nada, de sempre aliás, fosse tanto e tão incabível que ninguém entenderia. pobre de mim.
o mundo tá desmoronando, e eu olhando pro meu umbigo.
o mundo caindo aos pedaços, e eu achando que meu peito seco é o maior problema de hoje.
o café nem esfria mais. não dá tempo.
eu me tornei uma síntese das histórias que eu não quero mais contar.
o dia me toma pelo braço e me mostra o quão miúda eu sou perto de tudo o que me proponho a fazer.
sou pequena pra ver. pequena pra saber. pequena pra sentir. pequena pra existir.
e a sensação volta. cada dia mais familiar. dando voltas nas mesmas questões.
aprisionada na mesma casa, que nunca se abre.
a cada tentativa alguém me empurra mais pra dentro.
o contraditório sempre se apresenta.
implorando por sentir algo. agonizando por existir.
e quando sente. sai correndo. por mais que tente re(existir), o movimento é quase orgânico.
quando eu percebo já tô inerte. acampada no céu de um dia que eu escolhi eleger pra me acalmar.
me sinto abraçando as pernas e me encolhendo em movimentos repetitivos pra frente e pra trás.
sentada, olhando. sentada dentro de mim. olhando uma projeção que eu sei que não existe num espaço/tempo possível.
me anestesiar na rotina nunca foi tão fácil. antes eu fingia não gostar.
hoje eu agonizo, mas é disso que me valho. é isso que me faz querer parar pra respirar e olhar pra cima. lembrar que eu sinto. mas só lembrar. que um dia eu posso.
"quando eu tiver tempo, energia e disposição", eu digo.
mas na verdade é quando eu tiver coragem.
queria parar de te olhar pelo espelho, sentar na sua frente e sentir.
mas a sensação é que a coragem nunca chega.
enquanto isso eu só rio dos outros. enquanto isso eu finjo existir.
dando voltas, como se nada fosse.
eu corro. paro. olho. e o instante é nada.
o ponto de contato é o mesmo ponto da fuga.
às vezes eu fico pensando em como as pessoas conseguem seguir, como se nada fosse.
mas, no fundo, eu sei o quanto a minha arrogância subestima o fato de que o outro pode tá sentindo tudo, vivendo tudo (de fato) e absorvendo tudo.
enquanto eu só sigo. como se nada fosse. e como se o meu nada, de sempre aliás, fosse tanto e tão incabível que ninguém entenderia. pobre de mim.
o mundo tá desmoronando, e eu olhando pro meu umbigo.
o mundo caindo aos pedaços, e eu achando que meu peito seco é o maior problema de hoje.
o café nem esfria mais. não dá tempo.
eu me tornei uma síntese das histórias que eu não quero mais contar.
o dia me toma pelo braço e me mostra o quão miúda eu sou perto de tudo o que me proponho a fazer.
sou pequena pra ver. pequena pra saber. pequena pra sentir. pequena pra existir.
e a sensação volta. cada dia mais familiar. dando voltas nas mesmas questões.
aprisionada na mesma casa, que nunca se abre.
a cada tentativa alguém me empurra mais pra dentro.
o contraditório sempre se apresenta.
implorando por sentir algo. agonizando por existir.
e quando sente. sai correndo. por mais que tente re(existir), o movimento é quase orgânico.
quando eu percebo já tô inerte. acampada no céu de um dia que eu escolhi eleger pra me acalmar.
me sinto abraçando as pernas e me encolhendo em movimentos repetitivos pra frente e pra trás.
sentada, olhando. sentada dentro de mim. olhando uma projeção que eu sei que não existe num espaço/tempo possível.
me anestesiar na rotina nunca foi tão fácil. antes eu fingia não gostar.
hoje eu agonizo, mas é disso que me valho. é isso que me faz querer parar pra respirar e olhar pra cima. lembrar que eu sinto. mas só lembrar. que um dia eu posso.
"quando eu tiver tempo, energia e disposição", eu digo.
mas na verdade é quando eu tiver coragem.
queria parar de te olhar pelo espelho, sentar na sua frente e sentir.
mas a sensação é que a coragem nunca chega.
enquanto isso eu só rio dos outros. enquanto isso eu finjo existir.
dando voltas, como se nada fosse.
26/05/2018
da gota.
Não posso esperar. Pra que as coisas não se percam na memória.
Minha mão ainda tá trêmula e escrevo sem muita firmeza.
Sinto um vento delicado dilatar minhas pupilas.
Os ventos entram em meus olhos, em meus poros, quase pedindo licença, mas não tão sutilmente quanto possa parecer.
Minha mão ainda tá trêmula e escrevo sem muita firmeza.
Sinto um vento delicado dilatar minhas pupilas.
Os ventos entram em meus olhos, em meus poros, quase pedindo licença, mas não tão sutilmente quanto possa parecer.
Esse é o ponto!
Transitei entre ciclos de sutileza e pesar.
Quase morri, quase chorei, quase surtei.
Experimentei um pouco de cada um dos meus terrores noturnos.
Senti medo do meu medo de forma genuína. L Ú C I D A!
Experimentei um pouco de cada um dos meus terrores noturnos.
Senti medo do meu medo de forma genuína. L Ú C I D A!
E da forma mais delicada possível cuidei de mim:
R E S P I R E !
R E S P I R E !
Agora isso fez todo o sentido. Tudo fez!
Os espaços desse universo são projetados para nos empurrar aos nossos sentidos. Todos eles!
Todos Elos. Sou toda sensação!
Todos Elos. Sou toda sensação!
E elas vêm todas ao mesmo tempo:
Frio, calor, muito frio, CALAFRIO, frio na espinha e enquanto eu pisco: MUITO CALOR!
Tudo em menos de de 15 segundos.
Frio, calor, muito frio, CALAFRIO, frio na espinha e enquanto eu pisco: MUITO CALOR!
Tudo em menos de de 15 segundos.
Em segundos você acorda.
Pra a importância de estar aqui agora .
De dar-se conta de si. SOZINHA.
Pra a importância de estar aqui agora .
De dar-se conta de si. SOZINHA.
S O Z I N H A !
Mas com a melhor energia circulando em volta.
Luzes que te acompanham, seguem o seu fluxo.
Tornam-se pontos de referência quando você se perde.
Luzes que te acompanham, seguem o seu fluxo.
Tornam-se pontos de referência quando você se perde.
Você se perde TODO O TEMPO.
Perde o TEMPO.
Perde o TEMPO.
Ele escorre no canto da boca, por entre os dedos.
Escorre pela linha de suor que desce da nuca.
Escorre pelo seu cabelo enquanto te toca.
E quando você se dá conta ele nem existe mais.
Se perdeu. Na memória.
Junto com todas as coisas que você não vai esquecer!
Junto com todas as coisas que você não vai esquecer!
Pratigi - BA,
30.12.2017 - 5:40am.
30.12.2017 - 5:40am.
28/08/2017
Escritos inacabados #1
De onde tiramos o afeto pras coisas que não nos aprisionam?
O que me interessa, me diz mais sobre o que eu não quero.
Tento, a todo custo, manter as angústias fora da rota. Longe do toque.
Não há consciência suficiente para emudecer o sentir. O grito fica.
Abafado. Calado. Forçado.
Mas fica!
O que me resta é saber como me ligo a ele. Por onde volto pra encontrar o sentir do qual me escondo?
Entorpecer não cabe mais. A apatia só me veste por fora. Mas não me cabe.
Aperta. Não sobra!
Porque eu sinto de longe? Porque, ainda assim, te quero por perto?
Porque sou eu? Porque é você?
Não sei, Chico.
O doce predileto, o açúcar, o afeto.
Não me prendem na casa.
Mas a casa tá presa em mim, virou carapaça.
31.01.2017
O que me interessa, me diz mais sobre o que eu não quero.
Tento, a todo custo, manter as angústias fora da rota. Longe do toque.
Não há consciência suficiente para emudecer o sentir. O grito fica.
Abafado. Calado. Forçado.
Mas fica!
O que me resta é saber como me ligo a ele. Por onde volto pra encontrar o sentir do qual me escondo?
Entorpecer não cabe mais. A apatia só me veste por fora. Mas não me cabe.
Aperta. Não sobra!
Porque eu sinto de longe? Porque, ainda assim, te quero por perto?
Porque sou eu? Porque é você?
Não sei, Chico.
O doce predileto, o açúcar, o afeto.
Não me prendem na casa.
Mas a casa tá presa em mim, virou carapaça.
31.01.2017
Escritos de estranheza acumulada #1
Tava aqui pensando...
O que sou eu agora? Quando eu cheguei (e parei) aqui?
Conversamos e eu te disse claramente, mas isso não faz diferença agora. Me aprisiono sempre no mesmo lugar seguro. Antes eu pensava que vinha pra cá me esconder. Sempre quis vir, e achei que fosse meu refúgio.
Mas sim. Meu refúgio me aprisionou. Não sei mais sentir.
Não sei pensar sobre o que eu sinto. Não sei dizer. Não sei O QUE dizer. Não agora.
Minha armadura não quer mais me deixar. Enquanto tento, agonizo.
Me debato por todos os lados. Meu corpo não responde. Permanece intacto, insosso.
INERTE!
Enquanto isso, eu grito por poder sentir. Só sentir.
Sem prever. Sem antecipar.
Agonizo, por sentir e não conseguir atravessar a nuvem cinza e sólida, só agonizo.
Não sei o caminho de volta. Nunca antes quis voltar.
Não consigo me soltar. Não consigo não pensar. Nunca antes quis não remediar.
"Muito sensata", vocês dizem.
Talvez eu seja mesmo. Inteireza em sensatez.
Eu chamo de anestesia.
A vida me engole, tritura, me empurra do penhasco. Eu sento na ponta do mundo, e só penso a respeito. Imóvel, Intocável, paralisada.
Agonizando por dentro.
Serena e "sensata" pro mundo.
Mas você já se perguntou de onde veio todo esse SUPOSTO saber acerca da dor e do existir dos outros?
Já parou pra pensar em quantas horas de sofrimento e de corpo dilacerado existem em cada frase de compreensão e assertividade?
Pois é. Agora, eu sou aqui.
Sentada num banquinho de madeira, os pés apoiados num tronco de árvore, meio torta, meio sonolenta. O sol esquenta minhas costas, ao mesmo tempo em que o vento me arrepia o anti-braço com um cuidado quase amoroso. Tenho a melhor vista dessas bandas da cidade bem à minha frente. 4 tons de azul, no mínimo, entre o mar e o céu claro (raridade nos últimos tempos). Abaixo do azul, alguns tons de verde em volta de tudo. Uma igrejinha lá no fundo e umas ruínas antigas no caminho.
Tudo muito aprazível aos olhos de qualquer pessoa.
Algumas pessoas fumam embaixo da sombra das árvores logo a frente.
Quanto a mim. Uma parte da paisagem, apenas. Uma música baixa saindo de dentro da bolsa suja. Invisível. Quase completamente imersa.
Expressão serena, talvez.
O que devem imaginar? Será que se perguntam o que eu tanto escrevo?
Mal sabem eles. Só agonizo.
Enquanto tudo se move lentamente e o meu cabelo dança no vento enquanto deixa passar uns raios que desenham no papel formas quase perfeitas. Imagino que, apenas, faço parte da paisagem, como sempre.
Mas ninguém sabe. Sou só agonia!
O que sinto na pele me atravessa tão forte, tão claro de quase cegar.
Penso sentir tudo tão intensamente, que chega a ser desperdício.
É isso! É isso que talvez eu seja agora.
Um acúmulo indiscriminado dos meus desejos desperdiçados em agonia.
- Chegaram pessoas estranhas e sentaram à minha volta -
Perto demais pra eu ignorar; longe demais pra eu conseguir me fazer presente de fato.
Eles estão confortáveis comigo aqui. Talvez eu possa voltar a fazer parte da paisagem, e compartilhar dos meus cinco minutos de agonia silenciosa, ou só da minha música baixa mesmo. Aparentemente um deles gostou de todas.
Agora, a luz que chega na folha através da sombra do meu cabelo é o que há de mais bonito nessa cena, me fez derramar uma lágrima tão calmamente, que até esqueci que agonizava. É o que suga minha atenção. Merecia uma foto, mas o que eu tenho visto é que as câmeras fazem cada dia menos justiça ao que os meus olhos capturam.
Talvez, mas só talvez, eu seja isso também. ESPECTADORA.
O que de algum modo me autoriza (convenientemente) a não entrar em contato diretamente com o que me toca. E enquanto assisto: Apenas agonizo.
É isso! É isso que sou agora.
A apática agonia espectadora daquilo que me atravessa.
ou,
A estranha encolhida de cabeça baixa,
escrevendo,
no banquinho de madeira,
com o sol no cabelo.
São Lázaro, 28.08.2017
07/03/2017
do ponto de partida.
As voltas que eu dou, no fim das contas, são só minhas. Paro no mesmo lugar e o substrato que me aflige ainda é não saber. Não caber. Não pertencer ao lugar que me destinas.
Não canso de dizer, que metades não me fazem. Não dou conta do sossego estático do seu sentir.
Não me encaixo no lugar que não me cabe. E a esse respeito, nada posso fazer.
Se me cria expectativa, de imediato, nada me priva do fato de não bastar o não cumprir.
De nada adianta concordar, afirmar, mensurar, contestar.. Não me alimento de verbo. A carne, insossa, não me enche a alma.
A calma, fosca, me cega. Ensurdece o meu afeto e me repulsa. Expulsa!
Não canso de dizer, que metades não me fazem. Não dou conta do sossego estático do seu sentir.
Não me encaixo no lugar que não me cabe. E a esse respeito, nada posso fazer.
Se me cria expectativa, de imediato, nada me priva do fato de não bastar o não cumprir.
De nada adianta concordar, afirmar, mensurar, contestar.. Não me alimento de verbo. A carne, insossa, não me enche a alma.
A calma, fosca, me cega. Ensurdece o meu afeto e me repulsa. Expulsa!
24/11/2016
das elocubrações.
"Estou profunda, como um poço sem fundo."
Ela disse: não esquece. Não deixa passar.
O meio do mundo tá no fundo.
Do que eu não digo, e que se funde quando eu olho.
Sustenta. O fundo não chega. A fala não chega.
O mundo não cabe no fundo das coisas.
Que chegam e não passam.
Que fundam e começam na mesa da casa.
Na morte do nada. Na casa do fundo da gente.
Que não acumulam e não acomodam no resto de fundo que resta de tudo. Do todo do mundo do outro.
Da casa de gente que a gente não sente, não chega, não afunda na casa de gente que mora no fundo.
No poço profundo, que é casa de ninguém.
Sinto tão fundo que nem vejo onde.
Tão profundo, feito mente de monge.
Tão fundo, que nem poço sem tampa.
Sem ver. Sem gente. Nem posso.
Profunda.
Acumulada. Acelerada. Desajustada.
Poça sem fundo.
Sendo a alma. Acumulada. Calada em desordem.
Cedendo.
Não sendo.
Ela disse: não esquece. Não deixa passar.
O meio do mundo tá no fundo.
Do que eu não digo, e que se funde quando eu olho.
Sustenta. O fundo não chega. A fala não chega.
O mundo não cabe no fundo das coisas.
Que chegam e não passam.
Que fundam e começam na mesa da casa.
Na morte do nada. Na casa do fundo da gente.
Que não acumulam e não acomodam no resto de fundo que resta de tudo. Do todo do mundo do outro.
Da casa de gente que a gente não sente, não chega, não afunda na casa de gente que mora no fundo.
No poço profundo, que é casa de ninguém.
Sinto tão fundo que nem vejo onde.
Tão profundo, feito mente de monge.
Tão fundo, que nem poço sem tampa.
Sem ver. Sem gente. Nem posso.
Profunda.
Acumulada. Acelerada. Desajustada.
Poça sem fundo.
Sendo a alma. Acumulada. Calada em desordem.
Cedendo.
Não sendo.
13/11/2016
da expectativa.
no meio do dia quente,
amargo, amarrotado no sofá desarrumado...
um filme.
um filme de domingo.
daqueles que a gente sabe [eu sei] que não vão ter o irritante final feliz de sempre.
certeiro!
o que me abateu, escorreu pelo rosto.
a sensação de refletir aquele homem.
a sensação de não desejar que fosse feliz.
de apenas entender, resignado, que não seria feliz.
"mas estava ali, e isso já não era o bastante?"
histórias se cruzavam todo o tempo, enquanto a gente se iludia pensando querer um final feliz.
mas quem quer "chegar lá"? o que é "chegar lá"? onde é "lá"?
lá é quando a gente acorda e percebe que a chegada é agora!
quando a gente acorda e se dá conta que o esperar não basta.
a gente acorda e vê que a garota desajustada que salva o chato da vida de merda, não vem.
que o certinho que equilibra a fuga desordenada da menina problemática, também não vem.
o chato, irritante, que vira melhor amigo sábio, já foi embora. tá cuidando da vida.
e a gente? a gente é a soma de todo o caos que não tem fim nos créditos.
a bagunça que não é graciosa. a tristeza que não é poética.
a melancolia que não é tema do Woody Allen.
o desassossego que não tem remédio.
o drama incompleto que não tem solução. como no filme de hoje.
ninguém saiu feliz. e ninguém o quis.
nem eu.
já era noite. enxuguei o rosto, e parei dois segundos.
"que bom, um final real pra a angústia."
incompleto. quieto e resignado.
chegou lá, Mr. Carter.
eu também.
enxuguei o rosto, e sorri.
dois segundos amarrotados
de um domingo amargo sem sofá.
amargo, amarrotado no sofá desarrumado...
um filme.
um filme de domingo.
daqueles que a gente sabe [eu sei] que não vão ter o irritante final feliz de sempre.
certeiro!
o que me abateu, escorreu pelo rosto.
a sensação de refletir aquele homem.
a sensação de não desejar que fosse feliz.
de apenas entender, resignado, que não seria feliz.
"mas estava ali, e isso já não era o bastante?"
histórias se cruzavam todo o tempo, enquanto a gente se iludia pensando querer um final feliz.
mas quem quer "chegar lá"? o que é "chegar lá"? onde é "lá"?
lá é quando a gente acorda e percebe que a chegada é agora!
quando a gente acorda e se dá conta que o esperar não basta.
a gente acorda e vê que a garota desajustada que salva o chato da vida de merda, não vem.
que o certinho que equilibra a fuga desordenada da menina problemática, também não vem.
o chato, irritante, que vira melhor amigo sábio, já foi embora. tá cuidando da vida.
e a gente? a gente é a soma de todo o caos que não tem fim nos créditos.
a bagunça que não é graciosa. a tristeza que não é poética.
a melancolia que não é tema do Woody Allen.
o desassossego que não tem remédio.
o drama incompleto que não tem solução. como no filme de hoje.
ninguém saiu feliz. e ninguém o quis.
nem eu.
já era noite. enxuguei o rosto, e parei dois segundos.
"que bom, um final real pra a angústia."
incompleto. quieto e resignado.
chegou lá, Mr. Carter.
eu também.
enxuguei o rosto, e sorri.
dois segundos amarrotados
de um domingo amargo sem sofá.
10/10/2016
do sentir.
Há poesia nas verdades que eu não digo. Meu silêncio é tão lírico quanto inatingível. Não precisa haver beleza nas palavras. Mas exatidão. Clareza que me veste. Me apetece. Não adormece. Estranheza que não mede. Se admira e escurece.
Nas poucas sílabas você encontra a resposta incompleta pra a minha agonia. Exaustiva entropia. Paradoxo cíclico. Sentir. Fluir. Rima não cabe em ti. Métrica a desiludir. Desconstruir.
O labirinto morno esquecido. Volta a me olhar em refúgio do desassossego.
Volto a erguer os muros, deixo a porta aberta e adormeço. Nas verdades que me diz e ainda não mereço.
01/10/2016
da distância
Que não cabe
Não sossega. Não negocia.
Me enche a alma na madrugada, sem previsão.
Me enche a cara e solta no vento.
Não sossego. Não afugento.
A calma da madrugada. Que enche a casa.
E não acomoda.
Os sons invadem os sentidos e só respirar já não basta!
Espera. Não cabe. Não negocia.
E eu não sos se go!
O vento solto é que invade a casa. Incomoda.
Afugenta. Tenta.
Invade e não dá trégua.
Até o fim. Que acomoda a calma pálida do ser comum.
E NÃO DÁ CONTA.
Tragando o ar, como o último dos sonhos soltos.
Não quer ir.
Mas a trégua é só por dentro.
Transcende e transpassa.
Acomoda e acalma. Solta o vento invasor e se atrapalha.
Dá conta. Quando atroplea!
Não sossega. Não negocia.
Me enche a alma na madrugada, sem previsão.
Me enche a cara e solta no vento.
Não sossego. Não afugento.
A calma da madrugada. Que enche a casa.
E não acomoda.
Os sons invadem os sentidos e só respirar já não basta!
Espera. Não cabe. Não negocia.
E eu não sos se go!
O vento solto é que invade a casa. Incomoda.
Afugenta. Tenta.
Invade e não dá trégua.
Até o fim. Que acomoda a calma pálida do ser comum.
E NÃO DÁ CONTA.
Tragando o ar, como o último dos sonhos soltos.
Não quer ir.
Mas a trégua é só por dentro.
Transcende e transpassa.
Acomoda e acalma. Solta o vento invasor e se atrapalha.
Dá conta. Quando atroplea!
30/09/2016
da noite.
Olha!
O escuro olha de volta.
Confunde. Atropela. Esmaga.
Pulsa o peito afogado em agonia.
Não olha!
Respira!
Cala! Se deixa levar!
Arrastada pela força que não conhece.
Descontrola!
Não olha!
Se abre!
Não mede o que deixa.
Tritura a carne. Desobedece.
Não sabe!
Move. Transfere.
Agora olha! Respira! Se abre!
Acorda!
O escuro olha de volta.
Confunde. Atropela. Esmaga.
Pulsa o peito afogado em agonia.
Não olha!
Respira!
Cala! Se deixa levar!
Arrastada pela força que não conhece.
Descontrola!
Não olha!
Se abre!
Não mede o que deixa.
Tritura a carne. Desobedece.
Não sabe!
Move. Transfere.
Agora olha! Respira! Se abre!
Acorda!
25/09/2016
Da vertigem.
Do que te toca, me interessa o toque.
Não me apetece mensurar, planejar, elaborar.
Me cabe sentir. Não fazer sentido.
Dos dias mornos, me sobram metades.
Junto pontas pra formar um novo.
"Não sei sentir pela metade", o tanto faz nunca me coube.
Não me olhe de lado, não me abrace de longe, não me beije com pressa.
Essa frieza é só por fora.
Nos dias quentes, eu chego a derreter. Desfaleço e descabelo.
Mas não paro! Não me calo e não congelo.
Verbalizar é só pretexto pra falar de mim. E isso quase nunca me interessa também.
Minha garganta seca nessas horas.
Mas não me calo e não congelo!
Meu corpo se move solto, tagarelando nada de novo.
E do sentir que já me interessa, eu só toco o que me cabe.
Poros e pupila, dilatados, se entendem.
Mas a voz. Não sai. Vai embora. Some!
Derrete no gelo da noite que chega e me abraça.
E abraça inteira, de perto, sem pressa e com fome.
Vou embora. Inteira. Quente. "Em boa hora"!
Não me apetece mensurar, planejar, elaborar.
Me cabe sentir. Não fazer sentido.
Dos dias mornos, me sobram metades.
Junto pontas pra formar um novo.
"Não sei sentir pela metade", o tanto faz nunca me coube.
Não me olhe de lado, não me abrace de longe, não me beije com pressa.
Essa frieza é só por fora.
Nos dias quentes, eu chego a derreter. Desfaleço e descabelo.
Mas não paro! Não me calo e não congelo.
Verbalizar é só pretexto pra falar de mim. E isso quase nunca me interessa também.
Minha garganta seca nessas horas.
Mas não me calo e não congelo!
Meu corpo se move solto, tagarelando nada de novo.
E do sentir que já me interessa, eu só toco o que me cabe.
Poros e pupila, dilatados, se entendem.
Mas a voz. Não sai. Vai embora. Some!
Derrete no gelo da noite que chega e me abraça.
E abraça inteira, de perto, sem pressa e com fome.
Vou embora. Inteira. Quente. "Em boa hora"!
21/08/2016
Da chuva.
Olhava pra luz, enquanto encostava a cabeça pra ouvir.
O que saltava era um zumbido colorido. Esmaecido pelo olho marejando.
Do que será que tem medo aquela nuvem correndo quando a terra para?
Deve ter medo dessa gente que apressa o mundo.
Que acha que regula o tempo. Que toca no outro sem sentir.
Essa gente é tanta, e tão pouca. Não ouve o zumbir que engarrafa o céu da cidade inteira.
Continuei a olhar pra a luz e me dei conta que já deitava no quintal do mundo,
Dando voltas na casa vazia de dentro da mudez de sempre. Esperando e esperando...
Nem vi quando o sorriso abriu. Só via sol. E aquele barulho miúdo, quase surdo.
Desperdicei todo o tempo cuidando do que nem sei. Com medo do que nem vi.
E daqui pra depois só penso em levar a alma pra lavar, no barulho que cai e leva o medo e o todo.
Da nuvem e meu.
O meu medo? Não, dessa gente não mais.
Meu medo é não estar. Meu medo é do corpo calar.
Meu medo é não desgovernar. E mais.
Meu medo não é ser barulho, zumbido nem luz.
Meu medo é não ser!
O que saltava era um zumbido colorido. Esmaecido pelo olho marejando.
Do que será que tem medo aquela nuvem correndo quando a terra para?
Deve ter medo dessa gente que apressa o mundo.
Que acha que regula o tempo. Que toca no outro sem sentir.
Essa gente é tanta, e tão pouca. Não ouve o zumbir que engarrafa o céu da cidade inteira.
Continuei a olhar pra a luz e me dei conta que já deitava no quintal do mundo,
Dando voltas na casa vazia de dentro da mudez de sempre. Esperando e esperando...
Nem vi quando o sorriso abriu. Só via sol. E aquele barulho miúdo, quase surdo.
Desperdicei todo o tempo cuidando do que nem sei. Com medo do que nem vi.
E daqui pra depois só penso em levar a alma pra lavar, no barulho que cai e leva o medo e o todo.
Da nuvem e meu.
O meu medo? Não, dessa gente não mais.
Meu medo é não estar. Meu medo é do corpo calar.
Meu medo é não desgovernar. E mais.
Meu medo não é ser barulho, zumbido nem luz.
Meu medo é não ser!
13/06/2016
"Qualquer coisa de intermédio"
Sobre encontrar o outro na observação silente. Nunca me foi
tão claro.
O outro que encontro é parte também de mim. Como em Mário de
Sá Carneiro:
“sou qualquer coisa de intermédio”.
A ponte entre o que eu tenho e o que o outro terá de mim é o
medo. Apenas.
Se da entrega o faço, a mim também construo, deixando
pedaços talvez, o que eu não queria enxergar é que de nada valerá este
encontro, se nada nele me mover.
Amedrontar. Derrubar. Reconstruir. Resignificar.
Disso se valem os alicerces.
29/05/2016
.
A paixão do brasileiro é o futebol!
Me abstenho de falar ou entrar em discussões a respeito da situação política do país há um tempo, por um único motivo: estou entre torcedores.
Não há o que discutir se o outro apenas espera você concluir a fala para rebater, justificar, contestar. Não tenho habilidades pra lidar com verdades invisíveis. Não consigo conceber como produtivo estar entre dois pólos extremos em busca de razão e coerência. Estou perdida! É isso.
O que ouço é: O MEU É MELHOR, PORQUE O SEU É O PIOR!
E diante de discursos de ódio ao extremo oposto, eu apenas me angustio.
O enredo do Brasil é uma piada! Pura implicância pra ver quem leva o brinquedo no final. E o brinquedo são as nossas vidas, nossas terras, nossa cultura assassinada prematura. Abortada na escola!
O que cresce é a intolerância. Gente morrendo, e a gente dividindo os culpados entre os mocinhos e os vilões. Gente sofrendo, e a gente procurando sustento em erros já cometidos, remoídos, anunciados.
O golpe está posto, e foi deflagrado contra todos nós. Por nós! Todos os dias me sinto afrontada por declarações odiosas e odiadas.
Por gente incitando a barbárie retrógrada de um ódio já antes visto na história do mundo inteiro.
Me abstenho de falar ou entrar em discussões a respeito da situação política do país há um tempo, por um único motivo: estou entre torcedores.
Não há o que discutir se o outro apenas espera você concluir a fala para rebater, justificar, contestar. Não tenho habilidades pra lidar com verdades invisíveis. Não consigo conceber como produtivo estar entre dois pólos extremos em busca de razão e coerência. Estou perdida! É isso.
O que ouço é: O MEU É MELHOR, PORQUE O SEU É O PIOR!
E diante de discursos de ódio ao extremo oposto, eu apenas me angustio.
O enredo do Brasil é uma piada! Pura implicância pra ver quem leva o brinquedo no final. E o brinquedo são as nossas vidas, nossas terras, nossa cultura assassinada prematura. Abortada na escola!
O que cresce é a intolerância. Gente morrendo, e a gente dividindo os culpados entre os mocinhos e os vilões. Gente sofrendo, e a gente procurando sustento em erros já cometidos, remoídos, anunciados.
O golpe está posto, e foi deflagrado contra todos nós. Por nós! Todos os dias me sinto afrontada por declarações odiosas e odiadas.
Por gente incitando a barbárie retrógrada de um ódio já antes visto na história do mundo inteiro.
10/03/2016
Notas de inquietação mental: Bobo da corte.
Sobre a habilidade de lidar bem
com frustrações: não tenho.
Nunca tive aquele poder mágico de
ficar 'ok' pra coisa qualquer que não tenha atendido às minhas expectativas.
Contudo, é algo com o que se convive.
O café não tinha açúcar; não tem
a cor que eu quero; não tem o meu número; a encomenda não chegou; o dinheiro
não entrou; ele não veio.
Não é 'ok', mas logo menos passa.
O que se há de fazer?
Ontem ele veio. Cheio de si, e
das promessas que eu nunca pedi.
Trouxe uma carga de energia muito
intensa. Até então, positiva.
Mas eu nunca pedi.
Não o conhecia, e achei que tudo
fosse da experiência com gente.
Gente faz isso com a gente, né?
Pra bom ou pra ruim!
Abobalha e faz a gente ver o
quanto não esperar nada pode ser pouco pro tanto de coisa boa que o outro pode
ter, só esperando que a gente queira.
Mas não era tudo bobagem. E isso
também, eu nunca pedi!
Não tenho o hábito de espernear
por muita coisa. E, provavelmente, ultrapasso constantemente os meus limites de
tolerância só porque "não custa nada".
Mas custa. E todo limite
ultrapassado, tem limite também!
E a esse respeito,
especificamente, vou me permitir aqui uma transcrição.
Eu sei, ABNT não tem lugar aqui,
nem a APA. Mas vamos fazer um exercício de compreensão.
Ou, no mínimo, licença poética,
pro Alexandre Nero:
"Minta pra mim!
Diz que gostou da comida que eu fiz; Dos brincos que comprei, das flores que eu mandei.
Minta pra mim!
Diz que é pra
sempre; Que não vive sem mim; Que nascemos um para o outro.
Minta pra mim!
Ria das minhas piadas sem graça; Termine as frases comigo e diga “compatibilidade de gênios”!
Diz que não ouve meu ronco; Que meu cheiro é bom, mesmo quando estou suado; Que dinheiro não traz felicidade.
Minta pra mim!
Diz que eu emagreci; Que a dieta da lua tá funcionando, mas pra eu não emagrecer mais, por que você gosta de “ter onde pegar”.
Diz pro mundo, que vc sempre me foi fiel; Que eu sou o seu primeiro, não que isso seja importante.
Mas a mentira é!
Eu não quero saber da verdade; Odeio gente que diz a verdade; Gente sem coração!
Quando vc me deixar....Quando você for embora. Diz que é pro meu bem,
Que é VOCÊ que me faz mal, que eu mereço coisa melhor, que eu sou sensacional.
Mas.....MINTA PRA MIM!!
Esse será o nosso combinado, o nosso segredo......eu e você, eternamente....
... como o Sr. Roarke e o Tatoo, numa Ilha da Fantasia."
Minta pra mim!
Ria das minhas piadas sem graça; Termine as frases comigo e diga “compatibilidade de gênios”!
Diz que não ouve meu ronco; Que meu cheiro é bom, mesmo quando estou suado; Que dinheiro não traz felicidade.
Minta pra mim!
Diz que eu emagreci; Que a dieta da lua tá funcionando, mas pra eu não emagrecer mais, por que você gosta de “ter onde pegar”.
Diz pro mundo, que vc sempre me foi fiel; Que eu sou o seu primeiro, não que isso seja importante.
Mas a mentira é!
Eu não quero saber da verdade; Odeio gente que diz a verdade; Gente sem coração!
Quando vc me deixar....Quando você for embora. Diz que é pro meu bem,
Que é VOCÊ que me faz mal, que eu mereço coisa melhor, que eu sou sensacional.
Mas.....MINTA PRA MIM!!
Esse será o nosso combinado, o nosso segredo......eu e você, eternamente....
... como o Sr. Roarke e o Tatoo, numa Ilha da Fantasia."
Gostou,
né? Conveniente, eu acho. Até demais!
O Nero é
daquelas pessoas que você ouve falar e deseja que tudo se encaixe.
Deseja que
aquela letra seja sobre você, e sobre qualquer coisa que você faça ou pense.
E quase sempre o
é!
É daquelas
poesias desorganizadas que te assaltam com coisas que você, talvez, nunca se
daria conta sozinho. E eu quis. Que fosse simples assim. Como naquela conversa
de que "os ignorantes é que são felizes".
Pois eu tenho algo a dizer: NÃO!
Não há nada que
você possa fazer, a respeito da mentira, que me deixe feliz, nem por um
segundo.
Nada da
frustração que pese mais que a ilusão. Nem um grama.
Sobre o Nero,
não o ouça dessa vez. Não me vende os olhos. Não me tape os ouvidos.
Gosto das coisas
claras. Mesmo que não me caibam.
A verdade não
precisa ser uma cruz. não precisa ser a utopia dos discursos.
Ela pode ser a
minha dor. Mas passa!
Me machuque!
Me rejeite,
frustre, desaponte, humilhe, se for do seu desejo.
Mas não. NÃO
MINTA PRA MIM!
Só não me
confunda.
E não me
subestime. Não sou de ordens e calmaria.
Mas sou de
clareza. Seja claro, e as consequências serão claras e diretas, mesmo que não
tão calmas.
E a esse
respeito, tenho uma citação mais. A última, prometo!
E sobre essa,
nem vou comentar. É, como eu disse, simples, direta, clara e autoexplicativa.
No, sugestivo,
DVD "Coração Inevitável" de 2013, Ana Cañas recita:
"Não tem
mistério, não tenha medo.
Seja sincero,
diga a que veio.
Víscera,
víscera, víscera, víscera...
O inimigo meu.
Sou eu!"
Acabo de
desconhecer um 'Bobo da corte'.
12/04/2015
Da palavra.
B: “O importante é se sentir bem.”
A gente fala sem querer, a maioria das coisas do dia a dia.
Sem se dar conta do tamanho e direção que toma após sair da boca.
Meus achismos diários são derramados sem qualquer cuidado, mas às vezes alguém
devolve, e te faz perceber o quão certa você está da função que escolheu ter no
mundo. E te faz enxergar:
A importância que tem seus cinco minutos de ouvido atento e
sem julgamentos.
A responsabilidade de divagar sobre o que se pensa, a quem
só precisava dessa meia dúzia de incertezas pra se sentir mais forte.
A gratidão de quem é transformado e fortalecido pelo
resultado daquilo que diz.
E por fim (por hora), o cuidado necessário pra que a sua
palavra não se torne a queda do outro, nem seu alicerce.
23/02/2015
00:05
Porque é na madrugada que essas coisas aparecem.
Como quais? Todas elas.
A seca, a enchente, o escândalo, o castigo, o frescor.
Porque é nessas horas que os dedos estremecem, sofrem.
A polidez do dia ocioso se esconde atrás da tela do
computador, lento e cheio de vírus.
Irritante! Mas depois
eu resolvo.
Porque na madrugada, tenho mais o que fazer.
Pensar demais, quase chorar, sorrir do nada, desenganar,
entorpecer, quase morrer.
De pensar.
Ainda não me convenci. Do seu silêncio, da minha falta, do
embaraçar.
Porque é nessas horas que tudo fica embaraçoso e
interminável.
Pensar demais, querer demais, falar demais, achar demais, mas ter certeza.
Depois, talvez.
O tempo realmente se arrasta no ócio da madrugada
interminável, incontável, inabalável, incontestável. Testa de ferro.
Pura
desculpa pra o descontrole.
O descontrole dos dedos, dos nervos, do gosto, do novo.
T a q u i c a r d i a.
Assim, devagar, porém urgente. Dá pra entender?
Tentou sentir algo? Sentido algum? Eu sei!
Faltou o ar!
Cuspi tudo de uma vez, e só no fim me dei conta que prendia
a respiração.
Mas é porque nessas horas não dá tempo de respirar.
Tudo é muito, é todo, é de uma vez só. E é sem fim.
Mas só porque a essa hora da madrugada, é que tudo some.
28/12/2014
A chave.

A calma.
O languido passar dos dedos, e o suspiro silencioso, quase doloroso.
O olho ávido pela carne. A língua seca do desejo.
Menos força, menos impacto, menos imediato.
Por hora, senta aqui, e melhora!
Respira: 1, 2, 3...
Assim mesmo, lento.. se demora.
Sente o vento na pele, a água, o cheiro..
Sente e espere que eu explico, mas não agora.
Agora, só melhora!
Caetane-se, mas por inteiro.
Senta aqui, e sente o impacto da leveza.
Seja, mereça, queira.
Com a força polida da calma.
Com a calma urgente de um arrepiar.
Verbalize o arrepio num sopro gelado.
Arraste-se sobre a pele, e descubra.
Descubra o cadeado, a chave.
Descubra o caminho dos poros, dos pelos!
A chave, na calma, chega devagar.
Mas por hora, senta aqui, olha, e melhora!
09/08/2014
Sobre acertar os ponteiros:
-
Cuidei, sorri, andei, amei.
Amei o ponteiro parado, andei pelo quarto até cansar, sorri sozinha com a música certa, e cuidei de mim.
Pensei em fazer muita coisa, em te falar tantas outras, te chamar pra sentar e me ouvir cantar rouca.
Mas eu cantei alto, deitada de cara pro céu, fazendo tudo que eu quis, de olho fechado.
Com ponteiro parado!
Deitei no tempo e adulei um tanto pra ele ficar parado, do meu lado.
O dia se arrastou, e ele fez o que tinha que ser feito.
Parou, me olhou e passou.
Andou pro outro lado, pra eu não esquecer de acordar.
Correu de olho fechado, pra eu aprender a cuidar.
Cuidou do que ficou, e levou o que pesou. Lavou a cara!
Passou pro meu lado quando comecei a aprender.
A cuidar, sorrir, andar e amar.
Sem saber.
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