27/04/2014

Do desassossego.




Desarma - me, inquieta - me, provoca - me. 
Acende!
Futuca essa pulga, com a língua afiada, atrás da orelha gelada.
Destrói as respostas prontas e preguiçosas. 
Aguça - me, irrita - me, enfrente - me. 
De frente! 
Rebate o que eu digo, no peito aberto. Estilhaça minha frase seca e molha o céu da boca, com interrogações em interrogatórios eternos. 
Descontenta - se, inquieta - se, lança - se. 
Quer mais do meu barulho anunciado. Não se conforma com a existência inútil de uma mente inquieta só por dentro. 
Quer me ver confusa, barulhenta, e quer mais. 
Quero confundi - lo, grita - lo, e quero mais que isso! 

16/04/2014

Do encontro.

Não me cerco, não me acalmo.
Ilhada, no mar das geleiras em constante certeza.
Inconstante soluço, de dias seguidos. Seguindo o absurdo, de mais do mesmo.
Não me acalmo, desacelero.
Respiro fundo. E te observo ser por dentro um pouco de mim, viva.
Olho de longe esse movimento inconstante, fluido.. e desconserto.
Mas relevo, equilíbrio não me cabe. Nunca soube ser concreto.
Finjo amar as amarras da minha corrente aos pés da cadeira, mas é mais do que amarrar a certeza de não cair. O que me contém, e contradiz.
É pecado, é segredo, é desejo.
Do inacabado que me acomoda, do querer ser que apavora, da melancolia que vai embora na fumaça do quarto fechado.
Da mistura que eu faço com os ouvidos, e seu sopro de riso fácil.
Não me prendo, não concentro.
Apreendo, e não me cerco.
Deixo o canto do riso calmo, o olho fundo, e vou embora.
A calmaria, ainda que no silêncio, não me cabe. Não me veste!
O silêncio é só na boca!