23/07/2010



Tenho preguiça até de pensar.
Não quero falar, não quero gritar.
Não quero nem olhar!
Quero apenas ouvir o som de um conto.
Cantado no ouvido. Que seja só meu.
Meu canto. Refúgio!
De ouvir, e dormir.
Ou ouvir o silêncio num canto, como um mantra.
E cantar pra ninguém me escutar.
Pedir pra um Santo ajudar.
E ouvir uma canção de ninar.
Que me faça dormir sem chorar.
Sem pensar.
Até porque, inclusive pra chorar estou com preguiça.
Imagine pensar!

18/07/2010

Voar.

Se um dia você sentar no topo de uma pedra. Em silêncio. Você, o céu e o mar.
Em que você vai pensar?
Vai sentir o que?
Saudade? Medo? Vontade de pular? Ou de voar?
Do que você vai lembrar?
O que vai desejar?
O que jogaria? O que buscaria?
Já imaginou o que há por trás dessa pedra?
Falo da sua pedra!
A que você coloca sobre o problema, a ofensa.
Em cima do pedido de desculpas, em cima do assunto.
Teria coragem de levantar a pedra agora?
Tenta descer bem devagar pra olhar para cada ‘assunto enterrado’.
Teria coragem de desenterrá – lo e resolver?
Ninguém tem!
Mas então. Hoje eu resolvi subir... Sentei na pedra e ouvi o vento trazer num sussurro cada assunto enterrado, esquecido, enrolado, deixado de lado.
Aqui, ninguém pode ouvir o que eu penso.
Ninguém pode ver o que eu sinto com a pele, com os nervos, com os dentes, e olhos.
Não corro o risco de explodir e sair desenterrando tudo. Gritando os pensamentos aos quatro cantos como se fosse tanto.
Forrei a pedra, deitei e pensei sorrindo, apenas. Em silêncio!
Que preciso desenterrar o pouco que ainda está por trás, e que a explosão não será catastrófica, como parecia.
Apenas barulhenta!
Até porque, esse silêncio aqui em cima, me dá nos nervos. E esse vento soprando memórias recolhidas é muito frio, pro meu estado de espírito atual.
Agora eu acho que quero uma pá... e algumas ferramentas também.
Mas por favor, se as trouxer jogue - as todas lá embaixo.
Antes de começar gostaria de voar um pouco. Vem comigo?

15/07/2010

Sentidos, sentidos.

Som, cheiro, pele, gosto, imagem.
Os cinco sentidos se ajustam.
Entram em sintonia, e fazem o que há de ser feito!
Tudo é como uma súplica, que se estende até todos estarem extasiados
e completamente desligados da consciência que os cercava até então.
O gosto é outro.
O que se ouve é a melodia cortante do respirar.
O que se sente vai além dos poros, da pele.
Nada se vê.
E o torpor engana o olfato, que é esquecido. Deixado de lado.
É impossível descrever. E assim será!
É preciso que os dez estejam em sintonia. Em contato profundo, e ligados.
Talvez poucos entendam o que eu falo, e menos ainda saibam como é.
Mas todos esperam que um dia sintam - se assim.
Além dos livros, dos sonhos, das imagens, sons, cheiros, gestos que se formam na mente.
Além das mãos tremulas que tentam ajustar e combinar as palavras pra descrever
o mínimo possível do que se passa na mente.
Embrulha o estomago, turva os olhos, corta a respiração e morde os lábios.
Morde os lábios até sentir o dolorir cansado que a fez parar, lembrar de respirar,
e voltar às páginas que a fizeram perder o fôlego, a concentração, e por fim, o sono!

14/07/2010

Confusão (II).

Talvez te interesse apenas saber que não tenho tido paciência pra me importar com quedas, muros, labirintos, gostos amargos, e coisas do tipo. Inclusive metáforas.
Não tenho tido tempo e disposição pra pensar num julgamento sensato pra essas ou aquelas declarações, pra analisar o ocorrido, e organizar as possibilidades.
Não tenho tido tempo pra escrever, pra falar, pra formar opinião, tirar conclusão, escolher o certo a fazer.. Enfim.
Tenho feito, dito, e sentido o que tem me feito bem. E isso basta, por enquanto.
Tenho ajudado menos aos outros, e me preocupando mais comigo mesma. Assim como tenho julgado menos, aos outros e a mim mesma.
Tem me feito feliz apenas cantar, dançar, ler, engordar, sorrir até soluçar, abraçar sem esperar, beijar por impulso, e sentir coisas simples.
Coisas que não faço questão e não vêm ao caso identificar, rotular, medir, pesar, deixar de lado.
Apenas saber que existem e que são um bem por agora me basta.
Mas que te importa?
Agora me sinto bem por ouvir o Djavan cantar, o rio, o mar, a boca e o beijo.
Não penso em nada, porque vejo a música se fazendo filme.
E quer mesmo saber?
Isso é o que realmente tem me feito muito bem.
Mas também... Que te importa, né?

Saúde.



Acho a maior graça. Tomate previne isso,cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me
embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo,
faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!
E passar o resto do dia sem coragem para pedir
desculpas, pior ainda!
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!

03/07/2010

Coleção de corações.

Fazia diversos joguinhos para colecionar corações, tenho todas as peças guardadas na memória. Antes eu poderia dizer que jogava para acariciar meu ego, mas hoje sei que não se tem ego com tantas e tantas rachaduras no peito. Eu achava divertido jogar, as coleções me serviam de escudo, eu brincava, pulava, pintava e bordava, sem nenhum arranhão no fim, sem sofrer quedas. Porém, não gostava de jogar com quem verdadeiramente me importava; era contra as regras. Eu correria grandes riscos de esquecer-me do objetivo do jogo e quebrar a regra principal, que era não cair; não me arranhar. Quando apareciam pessoas assim, eu apertava “pause” no meu jogo. Por mais jogadora que fosse, queria viver de verdade; sentir. Tentava até certo ponto, mas depois via que era mais viável continuar a jogar.“Start” para mim mais uma vez.

@ Railma Rochele.

Confusão (I).

‘Como eu me sinto?’
Que te importa?
É, eu sei! Mas a sua preocupação nunca me convenceu.. Não seria diferente agora, né?
Pois bem. Estou aqui deitada, ouvindo músicas com aqueles mesmos clichês de sempre.
Aquelas que mandam você ‘jogar as mãos para o céu e agradecer, caso tenha alguém que você gostaria que estivesse sempre com você...’
E eu ? Sorrio, e mais nada !
As músicas mudam. Vozes diferentes me levam no embalo. Trazendo à memória dias, sonhos, sons cheiros, olhares.
Sempre lembram alguma coisa. Mesmo que já a tenha esquecido.
Mas hein.. Ultimamente tenho estado meio alheia aos meus muros.
Tenho dado preferência a sentar sobre eles e aproveitar a vista do que há em volta. E até que não tem sido ruim!
Não diria que voltei a sonhar como antes. Só não tenho pesadelos e durmo tranqüila. É isso!
Aproveito tranqüila o que guardo aqui. O sorriso, o olhar, o cheiro, a voz, as mãos, boca, cascas e recheios.
Sabendo que no fim, pode vir o gosto amargo. Mas que me importa?
Só tenho sentido o doce do recheio, como um chocolate!
Consegue ver assim?
Eu sei, eu sei. Falo como se fosse tanto, e muito. Como se fosse uma panela inteira de brigadeiro. Mas não!
Pense apenas como uma barrinha de chocolate que acabei de abrir e comer os dois primeiros quadradinhos. Sem ao menos ter contado quantos outros tem. Mas não me importo em saber agora.
Só os guardei na geladeira pra experimentá – los depois, e descobrir que gosto têm.
Sem pressa, sem fome, sem a necessidade angustiante que consome após as primeiras mordidas.
Pretendo talvez, tirá – lo da geladeira, embalar pra viagem e levá – lo no bolso, pra quando quiser lembrar o gosto.
Mas com calma. E só se for mesmo como os dois primeiros pedaços. Doce, e só!
Detesto chocolate amargo. Mesmo que seja só meio!
Mas então, continuo ouvindo as músicas com frases feitas e profundas filosofias de vida.
Prefiro as antigas, mas algumas mais novas se encaixam tão bem que chegam a confundir.
São sorrisos que fazem verão nos olhos com lápis preto pra afastar quem não quiser me ver feliz.. Que tiram do sono e do sério, com all stars azuis e um caminhar envolvido por mistérios de uma menina singular, a quem todo mundo quer cuidar enquanto na verdade o que quer é sair, e cair – não necessariamente nessa ordem. – mas tem medo. Que dá medo do medo que dá. Além da timidez que a faz camuflar, desfazer, disfarçar. Sendo pensamento, furacão e vento.. Cantando sinfonia, soprando no ouvido esse mantra de um signo de ar, - quando na verdade é de terra. - Mas não vê problemas, porque assim que dá, pra mudar o tempo, inventar hora e fazer história em cada momento sem fazer idéia de como controlar.
Pode parar de rir, por favor? É, eu sei que gostou tanto quanto eu.
Até porque também não consegui controlar o riso, enquanto juntava os trechos, e fazia a minha trilha sonora particular.
Eu sei. E avisei que seria confuso!
Não avisei?
AAAh, mas que te importa?