Olhava pra luz, enquanto encostava a cabeça pra ouvir.
O que saltava era um zumbido colorido. Esmaecido pelo olho marejando.
Do que será que tem medo aquela nuvem correndo quando a terra para?
Deve ter medo dessa gente que apressa o mundo.
Que acha que regula o tempo. Que toca no outro sem sentir.
Essa gente é tanta, e tão pouca. Não ouve o zumbir que engarrafa o céu da cidade inteira.
Continuei a olhar pra a luz e me dei conta que já deitava no quintal do mundo,
Dando voltas na casa vazia de dentro da mudez de sempre. Esperando e esperando...
Nem vi quando o sorriso abriu. Só via sol. E aquele barulho miúdo, quase surdo.
Desperdicei todo o tempo cuidando do que nem sei. Com medo do que nem vi.
E daqui pra depois só penso em levar a alma pra lavar, no barulho que cai e leva o medo e o todo.
Da nuvem e meu.
O meu medo? Não, dessa gente não mais.
Meu medo é não estar. Meu medo é do corpo calar.
Meu medo é não desgovernar. E mais.
Meu medo não é ser barulho, zumbido nem luz.
Meu medo é não ser!
21/08/2016
13/06/2016
"Qualquer coisa de intermédio"
Sobre encontrar o outro na observação silente. Nunca me foi
tão claro.
O outro que encontro é parte também de mim. Como em Mário de
Sá Carneiro:
“sou qualquer coisa de intermédio”.
A ponte entre o que eu tenho e o que o outro terá de mim é o
medo. Apenas.
Se da entrega o faço, a mim também construo, deixando
pedaços talvez, o que eu não queria enxergar é que de nada valerá este
encontro, se nada nele me mover.
Amedrontar. Derrubar. Reconstruir. Resignificar.
Disso se valem os alicerces.
29/05/2016
.
A paixão do brasileiro é o futebol!
Me abstenho de falar ou entrar em discussões a respeito da situação política do país há um tempo, por um único motivo: estou entre torcedores.
Não há o que discutir se o outro apenas espera você concluir a fala para rebater, justificar, contestar. Não tenho habilidades pra lidar com verdades invisíveis. Não consigo conceber como produtivo estar entre dois pólos extremos em busca de razão e coerência. Estou perdida! É isso.
O que ouço é: O MEU É MELHOR, PORQUE O SEU É O PIOR!
E diante de discursos de ódio ao extremo oposto, eu apenas me angustio.
O enredo do Brasil é uma piada! Pura implicância pra ver quem leva o brinquedo no final. E o brinquedo são as nossas vidas, nossas terras, nossa cultura assassinada prematura. Abortada na escola!
O que cresce é a intolerância. Gente morrendo, e a gente dividindo os culpados entre os mocinhos e os vilões. Gente sofrendo, e a gente procurando sustento em erros já cometidos, remoídos, anunciados.
O golpe está posto, e foi deflagrado contra todos nós. Por nós! Todos os dias me sinto afrontada por declarações odiosas e odiadas.
Por gente incitando a barbárie retrógrada de um ódio já antes visto na história do mundo inteiro.
Me abstenho de falar ou entrar em discussões a respeito da situação política do país há um tempo, por um único motivo: estou entre torcedores.
Não há o que discutir se o outro apenas espera você concluir a fala para rebater, justificar, contestar. Não tenho habilidades pra lidar com verdades invisíveis. Não consigo conceber como produtivo estar entre dois pólos extremos em busca de razão e coerência. Estou perdida! É isso.
O que ouço é: O MEU É MELHOR, PORQUE O SEU É O PIOR!
E diante de discursos de ódio ao extremo oposto, eu apenas me angustio.
O enredo do Brasil é uma piada! Pura implicância pra ver quem leva o brinquedo no final. E o brinquedo são as nossas vidas, nossas terras, nossa cultura assassinada prematura. Abortada na escola!
O que cresce é a intolerância. Gente morrendo, e a gente dividindo os culpados entre os mocinhos e os vilões. Gente sofrendo, e a gente procurando sustento em erros já cometidos, remoídos, anunciados.
O golpe está posto, e foi deflagrado contra todos nós. Por nós! Todos os dias me sinto afrontada por declarações odiosas e odiadas.
Por gente incitando a barbárie retrógrada de um ódio já antes visto na história do mundo inteiro.
10/03/2016
Notas de inquietação mental: Bobo da corte.
Sobre a habilidade de lidar bem
com frustrações: não tenho.
Nunca tive aquele poder mágico de
ficar 'ok' pra coisa qualquer que não tenha atendido às minhas expectativas.
Contudo, é algo com o que se convive.
O café não tinha açúcar; não tem
a cor que eu quero; não tem o meu número; a encomenda não chegou; o dinheiro
não entrou; ele não veio.
Não é 'ok', mas logo menos passa.
O que se há de fazer?
Ontem ele veio. Cheio de si, e
das promessas que eu nunca pedi.
Trouxe uma carga de energia muito
intensa. Até então, positiva.
Mas eu nunca pedi.
Não o conhecia, e achei que tudo
fosse da experiência com gente.
Gente faz isso com a gente, né?
Pra bom ou pra ruim!
Abobalha e faz a gente ver o
quanto não esperar nada pode ser pouco pro tanto de coisa boa que o outro pode
ter, só esperando que a gente queira.
Mas não era tudo bobagem. E isso
também, eu nunca pedi!
Não tenho o hábito de espernear
por muita coisa. E, provavelmente, ultrapasso constantemente os meus limites de
tolerância só porque "não custa nada".
Mas custa. E todo limite
ultrapassado, tem limite também!
E a esse respeito,
especificamente, vou me permitir aqui uma transcrição.
Eu sei, ABNT não tem lugar aqui,
nem a APA. Mas vamos fazer um exercício de compreensão.
Ou, no mínimo, licença poética,
pro Alexandre Nero:
"Minta pra mim!
Diz que gostou da comida que eu fiz; Dos brincos que comprei, das flores que eu mandei.
Minta pra mim!
Diz que é pra
sempre; Que não vive sem mim; Que nascemos um para o outro.
Minta pra mim!
Ria das minhas piadas sem graça; Termine as frases comigo e diga “compatibilidade de gênios”!
Diz que não ouve meu ronco; Que meu cheiro é bom, mesmo quando estou suado; Que dinheiro não traz felicidade.
Minta pra mim!
Diz que eu emagreci; Que a dieta da lua tá funcionando, mas pra eu não emagrecer mais, por que você gosta de “ter onde pegar”.
Diz pro mundo, que vc sempre me foi fiel; Que eu sou o seu primeiro, não que isso seja importante.
Mas a mentira é!
Eu não quero saber da verdade; Odeio gente que diz a verdade; Gente sem coração!
Quando vc me deixar....Quando você for embora. Diz que é pro meu bem,
Que é VOCÊ que me faz mal, que eu mereço coisa melhor, que eu sou sensacional.
Mas.....MINTA PRA MIM!!
Esse será o nosso combinado, o nosso segredo......eu e você, eternamente....
... como o Sr. Roarke e o Tatoo, numa Ilha da Fantasia."
Minta pra mim!
Ria das minhas piadas sem graça; Termine as frases comigo e diga “compatibilidade de gênios”!
Diz que não ouve meu ronco; Que meu cheiro é bom, mesmo quando estou suado; Que dinheiro não traz felicidade.
Minta pra mim!
Diz que eu emagreci; Que a dieta da lua tá funcionando, mas pra eu não emagrecer mais, por que você gosta de “ter onde pegar”.
Diz pro mundo, que vc sempre me foi fiel; Que eu sou o seu primeiro, não que isso seja importante.
Mas a mentira é!
Eu não quero saber da verdade; Odeio gente que diz a verdade; Gente sem coração!
Quando vc me deixar....Quando você for embora. Diz que é pro meu bem,
Que é VOCÊ que me faz mal, que eu mereço coisa melhor, que eu sou sensacional.
Mas.....MINTA PRA MIM!!
Esse será o nosso combinado, o nosso segredo......eu e você, eternamente....
... como o Sr. Roarke e o Tatoo, numa Ilha da Fantasia."
Gostou,
né? Conveniente, eu acho. Até demais!
O Nero é
daquelas pessoas que você ouve falar e deseja que tudo se encaixe.
Deseja que
aquela letra seja sobre você, e sobre qualquer coisa que você faça ou pense.
E quase sempre o
é!
É daquelas
poesias desorganizadas que te assaltam com coisas que você, talvez, nunca se
daria conta sozinho. E eu quis. Que fosse simples assim. Como naquela conversa
de que "os ignorantes é que são felizes".
Pois eu tenho algo a dizer: NÃO!
Não há nada que
você possa fazer, a respeito da mentira, que me deixe feliz, nem por um
segundo.
Nada da
frustração que pese mais que a ilusão. Nem um grama.
Sobre o Nero,
não o ouça dessa vez. Não me vende os olhos. Não me tape os ouvidos.
Gosto das coisas
claras. Mesmo que não me caibam.
A verdade não
precisa ser uma cruz. não precisa ser a utopia dos discursos.
Ela pode ser a
minha dor. Mas passa!
Me machuque!
Me rejeite,
frustre, desaponte, humilhe, se for do seu desejo.
Mas não. NÃO
MINTA PRA MIM!
Só não me
confunda.
E não me
subestime. Não sou de ordens e calmaria.
Mas sou de
clareza. Seja claro, e as consequências serão claras e diretas, mesmo que não
tão calmas.
E a esse
respeito, tenho uma citação mais. A última, prometo!
E sobre essa,
nem vou comentar. É, como eu disse, simples, direta, clara e autoexplicativa.
No, sugestivo,
DVD "Coração Inevitável" de 2013, Ana Cañas recita:
"Não tem
mistério, não tenha medo.
Seja sincero,
diga a que veio.
Víscera,
víscera, víscera, víscera...
O inimigo meu.
Sou eu!"
Acabo de
desconhecer um 'Bobo da corte'.
12/04/2015
Da palavra.
B: “O importante é se sentir bem.”
A gente fala sem querer, a maioria das coisas do dia a dia.
Sem se dar conta do tamanho e direção que toma após sair da boca.
Meus achismos diários são derramados sem qualquer cuidado, mas às vezes alguém
devolve, e te faz perceber o quão certa você está da função que escolheu ter no
mundo. E te faz enxergar:
A importância que tem seus cinco minutos de ouvido atento e
sem julgamentos.
A responsabilidade de divagar sobre o que se pensa, a quem
só precisava dessa meia dúzia de incertezas pra se sentir mais forte.
A gratidão de quem é transformado e fortalecido pelo
resultado daquilo que diz.
E por fim (por hora), o cuidado necessário pra que a sua
palavra não se torne a queda do outro, nem seu alicerce.
23/02/2015
00:05
Porque é na madrugada que essas coisas aparecem.
Como quais? Todas elas.
A seca, a enchente, o escândalo, o castigo, o frescor.
Porque é nessas horas que os dedos estremecem, sofrem.
A polidez do dia ocioso se esconde atrás da tela do
computador, lento e cheio de vírus.
Irritante! Mas depois
eu resolvo.
Porque na madrugada, tenho mais o que fazer.
Pensar demais, quase chorar, sorrir do nada, desenganar,
entorpecer, quase morrer.
De pensar.
Ainda não me convenci. Do seu silêncio, da minha falta, do
embaraçar.
Porque é nessas horas que tudo fica embaraçoso e
interminável.
Pensar demais, querer demais, falar demais, achar demais, mas ter certeza.
Depois, talvez.
O tempo realmente se arrasta no ócio da madrugada
interminável, incontável, inabalável, incontestável. Testa de ferro.
Pura
desculpa pra o descontrole.
O descontrole dos dedos, dos nervos, do gosto, do novo.
T a q u i c a r d i a.
Assim, devagar, porém urgente. Dá pra entender?
Tentou sentir algo? Sentido algum? Eu sei!
Faltou o ar!
Cuspi tudo de uma vez, e só no fim me dei conta que prendia
a respiração.
Mas é porque nessas horas não dá tempo de respirar.
Tudo é muito, é todo, é de uma vez só. E é sem fim.
Mas só porque a essa hora da madrugada, é que tudo some.
28/12/2014
A chave.

A calma.
O languido passar dos dedos, e o suspiro silencioso, quase doloroso.
O olho ávido pela carne. A língua seca do desejo.
Menos força, menos impacto, menos imediato.
Por hora, senta aqui, e melhora!
Respira: 1, 2, 3...
Assim mesmo, lento.. se demora.
Sente o vento na pele, a água, o cheiro..
Sente e espere que eu explico, mas não agora.
Agora, só melhora!
Caetane-se, mas por inteiro.
Senta aqui, e sente o impacto da leveza.
Seja, mereça, queira.
Com a força polida da calma.
Com a calma urgente de um arrepiar.
Verbalize o arrepio num sopro gelado.
Arraste-se sobre a pele, e descubra.
Descubra o cadeado, a chave.
Descubra o caminho dos poros, dos pelos!
A chave, na calma, chega devagar.
Mas por hora, senta aqui, olha, e melhora!
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