21/10/2010

Recorte III.

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'Segundo alguns psicanalistas, quando se apaixona você não se relaciona com alguém de carne e osso, mas com uma projeção criada por você mesmo; e a projeção que fazemos é a de um ser absolutamente perfeito. Mas depois de um período a projeção acaba, e você passa a enxergar de verdade a pessoa com quem está se relacionando. Invariavelmente, algumas virtudes do parceiro ou da parceira vão embora junto com a projeção, outras ficam .. e se o que ficou de cada um for suficiente para os dois, a relação perdura, caso contrário ninguém sabe o que faz o botãozinho ligar e iniciar uma nova projeção.'


'Sim, do comercialzinho do bombom.' ;D

08/10/2010

Vá entender.

Ah, eu tava lá.. sentada.
Quieta no meu canto, como sempre.
Ele sentou, sorriu e mais nada.
Queria que eu entendesse. Assim, só sorrindo.
Eu, que nao entendo nada, nunca.
Vou entender com ele sorrindo, assim.
Ah, faça - me o favor!
Tava quieta no meu canto, sentada.
Veio mecher pra que?
Pra eu não entender, eu sei.
Pra ficar assim, doida, tonta, chata!
Mais ainda.
Ele falou algo sobre.. sobre.. sonho, tempo, canto, riso..
Ah, sei lá sobre o que foi!
Ele sussurrou alguma coisa, a respeito de nós, sobre um 'se'.. um 'porque'..
Mas também me confundiu. Então, eu sorri!
Exatamente como estava. Sentada no meu canto, imóvel, sorrindo.
Sorrindo em preto e branco, sem muita nitidez.
Mas quente. Sorrindo, quase gargalhando um aquecimento global.
Ridículo, consegui pensar. Mas, vá entender!
Eu avisei. Insisti pra que não me deixasse pensar qualquer coisa.
E me dissesse exatamente o que fazer.
Só pra eu entender do que se tratava aquele sorriso.
Aí, quando ele perguntou se eu faria o que dissesse.. Só sorri.
Era óbvio que não! Nunca faço.
Ele não entende? Achei que entendesse de sorrisos. - Do meu sorriso.
Mas quer saber? Nem me importo!
Contanto que ele não sorria, vou continuar aqui.
Sentada, quieta no meu canto!

27/09/2010

Pela janela.

Agora?
Tenho tido muito sono, mas tenho feito tudo.
Tenho dito muita coisa, e vivido todas.
Não tenho tido tempo pra me preocupar com pormenores.
Os detalhes mais importantes aparecem por si.
Tô com preguiça, como sempre. Mas agora só dá preguiça de pensar em problemas.. Penso nas soluções, e isso me poupa um tempo precioso.
Tempo de deitar na rede, com o sol na cara e não fazer nada!
Preciso desse tempo, às vezes.
Dia desses bateu uma saudade estranha. Saudade de mim, sozinha.. em paz!
Larguei todo mundo, e larguei tudo, do lado de fora e fechei as portas.
Fechei as portas pra respirar, em silêncio!
Tomar ar!
Às vezes abro a janela e dou uma olhada pra ver se estão todos bem, e no mesmo lugar onde os deixei. Mas não estão.. Nunca estão!
Alguns estão do outro lado da rua, outros chegaram mais pra perto de forma surpreendente - e diferente, confesso! - , alguns estranhos apareceram.. e há aqueles aos quais nem consigo ver mais. Andam por outras ruas, outros lugares.
Mas há também os de sempre, parados no mesmo lugar. Aqueles dos quais sempre sei o que posso esperar. Mas nem assim espero, só por garantia, por precaução e auto - preservação!
Então, sorrio, aceno e os deixo lá.. Com toda sua importância, ou falta dela.
Volto pra dentro, penso mais.. e falo menos.
Dou um tempo pra cantar, e pra ouvir cantos alheios.
Escondo-me em cantos enquanto ouço. Cantos vazios de euforia, e agitação.
Cantos escuros, frios, e sozinhos. Não, não tenho medo deles.
Sem se dar conta, cada um tem o seu.
Seu canto particular, esconderijo, ou como queiram chamar!
Deito pra pensar, e sonho!
Sonho de olhos abertos, e ouvidos atentos.. Ouço cores altas, que vibram acordes cheios de tempo. Tempo parado, retrocedendo e me levando junto.
Penso em voltar pra fora, mas essas coisas me cansam. Então vou devagar, parando de 5 em 5 minutos pra descansar.
Falando em cansar, noite passada, sonhei acordada e fiquei exausta.
Acabei dormindo enquanto pensava.
E agora?
Agora, o dia é cheio do que fazer, e de nada falar.
Talvez eu tente, e até tento mesmo.. Mas nunca dá muito certo.
Deixa pra lá.
Pensar em voz alta e com o corpo todo já me comprometeu o suficiente.
Até agora!

27/08/2010

Reticências.

Nunca me preocupei em rotular, ou definir as relações à minha volta.
Não de forma consciente pelo menos.
Sei o que me faz bem, e o que não faz!
Sei bem o que quero, e o que não quero!
Sei do que eu gosto, sei do que eu ouço, sei do que eu falo!
Não me incomodo em saber do que eu penso, porque isso.. Aaah, isso é só meu!
E não cabe a ninguém me obrigar a entender a não ser que me seja vital!
Salvo isso, não sei de muita coisa.
Não me acostumo com traição. Não acho normal, omissão.
Não gosto de tentar, não gosto de cansar, não gosto de enjoar, não gosto de ponderar.
Não tenho muita paciência, mas estico a que me resta até que não consiga mais estender os meus braços.
Não gosto de histórias incompletas, inacabadas.
Pra uma história ser boa tem que ter o mínimo de coerência, mesmo que o mínimo seja quase nada.
O básico, o indispensável, é que tenha pelo menos início, meio e fim!
Sim, fim! Porque não? Os finais fazem parte, e são importantes também, oras!
Reticências são pra os que temem o fim!
Pois os meus fins, faço eu mesma! Justificando ou não os meios.
Meios que aliás, nunca me deixaram satisfeita de verdade.
Metades não me movem, não me preenchem, não me fazem querer. Só me cansam.
Sei reconhecer quando chega a hora de parar, de pausar e descansar.. Ou de pular.
Abandonar o barco! Certa de que estou inteira!
Como sei? 
Muito simples.. Quando tenho que pensar demais.
Quando tenho que medir demais, me preocupar demais.
E quando deixa de ser bem, pra ser busca.. E então passa a ser menos.
Menos paciência, menos paz, menos sorrir, menos sentir!
Quando pesa. Sabe, quando pesa?
Então. Aí eu largo tudo no chão e volto ao meu lugar.. Me desfaço do peso e disfarço uma angústia reprimida e uma tristeza sufocada.. Mas só por alguns segundos.
Respiro fundo e conto: 1, 2, 3, 4, 5... foi!
Volto a sorri, a ter certeza completa de quem sou, e do que eu sinto.
De onde estou e do que eu devo fazer!
É bom saber por onde piso.
Porque mesmo com o chão cheio de cacos de vidro, eu piso com o pé inteiro!



‘Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas. E estar entre vírgulas, é aposto. E eu aposto o oposto!’
@Fernando Aniteli

24/08/2010

A angústia bem vinda.

Tô mordendo o fone de ouvidos agora, enquanto ouço a voz doida de tão leve da Adriana Calcanhoto.
Você sabe! Quando eu to nervosa eu mordo. Geralmente a mim mesma, mas hoje por sorte o fone apareceu!
E enquanto eu ouço súplicas gritantes sendo quase sussurradas, eu sigo a letra.
‘Porque meu coração dispara quando vem o seu cheiro, dentro de um livro..’
Quase posso sentir o cheiro, e acabo fechando o livro pra não correr o risco de ficar doida também.
Inalo a angústia em demasia. O ar chega a pesar por conta da ansiedade e me dá embrulhos no estomago pensar em qualquer coisa lógica agora!
Mas você sabe, quanto mais nervosa, maior é o estrago!
Eu reclamo, mas é só de brincadeira.
Porque no fundo, no fundo.. me encanta o vislumbre de reações que eu não sei quais serão, muito menos se virão de fato!
A realidade é que quanto menos eu sei, mais eu quero.
Descobrir, do jeito que for. Do meu jeito, na minha hora, ou não!
Desvendar, explorar, escavar.
Deixar de procurar trilhas prontas pra chegar às respostas.
Prefiro criá – las. As trilhas, quero dizer. Você me entende?
Achar as respostas sozinha, sem ter de interrogar, torturar..
Apenas ouvi – las, vê – las acontecer por si!
Se não forem favoráveis? Se desaparecerem e eu ficar no escuro?
Aaaah, faça – me o favor!
Sabe muito bem que sei lidar com isso!
Não faço idéia de como. Nunca faço!
E acho que essa é a última de todas as respostas a aparecer.
Mas ainda assim aparecerá, e esse queimar que me consome terá valido a pena!
E o fone estragado também.
Porque amanhã terei outros.
Outros mistérios, outras músicas, outras angústias, outras respostas e, principalmente, outros fones!

18/08/2010

Recorte II.

A vida rolando por aí feito roda-gigante, com todo mundo dentro, e eu aqui, parada, pateta, sentada no bar. Sem fazer nada, como se tivesse desaprendido a linguagem dos outros. Olhando de fora, a cara cheia, louca de vontade de estar lá, rodando junto com eles nessa roda idiota.
Dama da noite, todos me chamam e nem sabem que durmo o dia inteiro.
E acontece que eu ainda sou babaca, pateta e ridícula o suficiente para estar procurando ‘O Verdadeiro Amor’.
Para de rir, senão te jogo já este copo na cara!
Pago o copo, a bebida. Pago o estrago e até o bar, se ficar a fim de quebrar tudo! Todo machinho da sua idade, tem loucura por dar o rabo, meu bem. Ascendente câncer, eu sei: cara de lua, bunda gordinha e cu aceso.
Você não viu nada, você nem viu o amor!
Que idade você tem, 20? Tem cara de 12. Já nasceu de camisinha em punho, morrendo de medo de pegar AIDS.
Já viu gente morta, baby? É feio, baby. A morte é muito feia, muito suja, muito triste.
Queria eu ser assim, delicada e poderosa para te conceder a vida eterna. Eu cansei. Já não estou mais na idade. Quantos? Ah, você não vai acreditar, esquece!
O que importa é que você entra por um ouvido meu e sai pelo outro, sabia?
Você não fica, você não marca. Eu sei que fico em você, eu sei q marco você.
Tá tudo bem, é assim que as coisas são: ca-pi-ta-lis-tas, em letras góticas de neon.
Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada.



@ Caio Fernando Abreu

10/08/2010

Desordem.

Nostalgia de acordes. Confusão, distração, atração, erupção!
Essas são as palavras de ordem, ou desordem.. Como preferir.
 O que na verdade me incomoda é que eu não sei falar pra que me entenda. Não sei concordar, contextualizar, verbalizar o que sinto.
O que tenho de mais concreto agora é ansiedade. Eu ouço minha respiração, sinto que cerro os dentes, e que meu estomago embrulha a cada sinal de alerta!
Sim, alerta! Me acorda a velha companhia de sempre.  O medo. Do bicho papão a quem tenho deixado bem à vontade dentro de casa.. Brinco com ele, e não me assusto quando o vejo de frente. Mas medo e solidão são companhias que me querem só. Sem bicho, sem grito, sem calma.
Angústia requentada, remendada, relembrada. Sentimento de querer libertar a casa dos monstros e não ter como fechar todas as janelas antes que eles voltem.
Tenho paz na voz, tenho um sorriso nos olhos, tenho até um lampejo de inocência. Mas isso não dura muito!