13/06/2016

"Qualquer coisa de intermédio"

Sobre encontrar o outro na observação silente. Nunca me foi tão claro.
O outro que encontro é parte também de mim. Como em Mário de Sá Carneiro:
“sou qualquer coisa de intermédio”.
A ponte entre o que eu tenho e o que o outro terá de mim é o medo. Apenas.
Se da entrega o faço, a mim também construo, deixando pedaços talvez, o que eu não queria enxergar é que de nada valerá este encontro, se nada nele me mover.
Amedrontar. Derrubar. Reconstruir. Resignificar.

Disso se valem os alicerces.  

29/05/2016

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A paixão do brasileiro é o futebol!
Me abstenho de falar ou entrar em discussões a respeito da situação política do país há um tempo, por um único motivo: estou entre torcedores.
Não há o que discutir se o outro apenas espera você concluir a fala para rebater, justificar, contestar. Não tenho habilidades pra lidar com verdades invisíveis. Não consigo conceber como produtivo estar entre dois pólos extremos em busca de razão e coerência. Estou perdida! É isso.
O que ouço é: O MEU É MELHOR, PORQUE O SEU É O PIOR!
E diante de discursos de ódio ao extremo oposto, eu apenas me angustio.
O enredo do Brasil é uma piada! Pura implicância pra ver quem leva o brinquedo no final. E o brinquedo são as nossas vidas, nossas terras, nossa cultura assassinada prematura. Abortada na escola!
O que cresce é a intolerância. Gente morrendo, e a gente dividindo os culpados entre os mocinhos e os vilões. Gente sofrendo, e a gente procurando sustento em erros já cometidos, remoídos, anunciados.
O golpe está posto, e foi deflagrado contra todos nós. Por nós! Todos os dias me sinto afrontada por declarações odiosas e odiadas.
Por gente incitando a barbárie retrógrada de um ódio já antes visto na história do mundo inteiro.




10/03/2016

Notas de inquietação mental: Bobo da corte.


Sobre a habilidade de lidar bem com frustrações: não tenho.
Nunca tive aquele poder mágico de ficar 'ok' pra coisa qualquer que não tenha atendido às minhas expectativas. Contudo, é algo com o que se convive.
O café não tinha açúcar; não tem a cor que eu quero; não tem o meu número; a encomenda não chegou; o dinheiro não entrou; ele não veio.
Não é 'ok', mas logo menos passa. O que se há de fazer?

Ontem ele veio. Cheio de si, e das promessas que eu nunca pedi.
Trouxe uma carga de energia muito intensa. Até então, positiva.
Mas eu nunca pedi.
Não o conhecia, e achei que tudo fosse da experiência com gente.
Gente faz isso com a gente, né? Pra bom ou pra ruim!
Abobalha e faz a gente ver o quanto não esperar nada pode ser pouco pro tanto de coisa boa que o outro pode ter, só esperando que a gente queira.
Mas não era tudo bobagem. E isso também, eu nunca pedi!

Não tenho o hábito de espernear por muita coisa. E, provavelmente, ultrapasso constantemente os meus limites de tolerância só porque "não custa nada".
Mas custa. E todo limite ultrapassado, tem limite também!
E a esse respeito, especificamente, vou me permitir aqui uma transcrição.
Eu sei, ABNT não tem lugar aqui, nem a APA. Mas vamos fazer um exercício de compreensão.
Ou, no mínimo, licença poética, pro Alexandre Nero:

"Minta pra mim!
Diz que gostou da comida que eu fiz; Dos brincos que comprei, das flores que eu mandei.
Minta pra mim!
Diz que é pra sempre; Que não vive sem mim; Que nascemos um para o outro.
Minta pra mim!
Ria das minhas piadas sem graça; Termine as frases comigo e diga “compatibilidade de gênios”!
Diz que não ouve meu ronco; Que meu cheiro é bom, mesmo quando estou suado; Que dinheiro não traz felicidade.
Minta pra mim!
Diz que eu emagreci; Que a dieta da lua tá funcionando, mas pra eu não emagrecer mais, por que você gosta de “ter onde pegar”.
Diz pro mundo, que vc sempre me foi fiel; Que eu sou o seu primeiro, não que isso seja importante.
Mas a mentira é!
Eu não quero saber da verdade; Odeio gente que diz a verdade; Gente sem coração!
Quando vc me deixar....Quando você for embora. Diz que é pro meu bem,
Que é VOCÊ que me faz mal, que eu mereço coisa melhor, que eu sou sensacional.
Mas.....MINTA PRA MIM!!
Esse será o nosso combinado, o nosso segredo......eu e você, eternamente....
... como o Sr. Roarke e o Tatoo, numa Ilha da Fantasia."



Gostou, né? Conveniente, eu acho. Até demais!
O Nero é daquelas pessoas que você ouve falar e deseja que tudo se encaixe.
Deseja que aquela letra seja sobre você, e sobre qualquer coisa que você faça ou pense.
E quase sempre o é!
É daquelas poesias desorganizadas que te assaltam com coisas que você, talvez, nunca se daria conta sozinho. E eu quis. Que fosse simples assim. Como naquela conversa de que "os ignorantes é que são felizes".
Pois eu tenho algo a dizer: NÃO!
Não há nada que você possa fazer, a respeito da mentira, que me deixe feliz, nem por um segundo.
Nada da frustração que pese mais que a ilusão. Nem um grama. 
Sobre o Nero, não o ouça dessa vez. Não me vende os olhos. Não me tape os ouvidos. 
Gosto das coisas claras. Mesmo que não me caibam. 
A verdade não precisa ser uma cruz. não precisa ser a utopia dos discursos. 
Ela pode ser a minha dor. Mas passa!
Me machuque!
Me rejeite, frustre, desaponte, humilhe, se for do seu desejo.
Mas não. NÃO MINTA PRA MIM!

Só não me confunda. 
E não me subestime. Não sou de ordens e calmaria. 
Mas sou de clareza. Seja claro, e as consequências serão claras e diretas, mesmo que não tão calmas. 
E a esse respeito, tenho uma citação mais. A última, prometo!
E sobre essa, nem vou comentar. É, como eu disse, simples, direta, clara e autoexplicativa. 
No, sugestivo, DVD "Coração Inevitável" de 2013, Ana Cañas recita: 

"Não tem mistério, não tenha medo.
Seja sincero, diga a que veio.
Víscera, víscera, víscera, víscera...
O inimigo meu. Sou eu!"


Acabo de desconhecer um 'Bobo da corte'.

12/04/2015

Da palavra.



A: “Razão ou emoção?”

B: “O importante é se sentir bem.”

       A gente fala sem querer, a maioria das coisas do dia a dia. Sem se dar conta do tamanho e direção que toma após sair da boca.


         Meus achismos diários são derramados sem qualquer cuidado, mas às vezes alguém devolve, e te faz perceber o quão certa você está da função que escolheu ter no mundo. E te faz enxergar:

A importância que tem seus cinco minutos de ouvido atento e sem julgamentos.
A responsabilidade de divagar sobre o que se pensa, a quem só precisava dessa meia dúzia de incertezas pra se sentir mais forte.
A gratidão de quem é transformado e fortalecido pelo resultado daquilo que diz.

E por fim (por hora), o cuidado necessário pra que a sua palavra não se torne a queda do outro, nem seu alicerce.  

23/02/2015

00:05

Porque é na madrugada que essas coisas aparecem.
Como quais? Todas elas.
A seca, a enchente, o escândalo, o castigo, o frescor.
Porque é nessas horas que os dedos estremecem, sofrem.
A polidez do dia ocioso se esconde atrás da tela do computador, lento e cheio de vírus.
Irritante!  Mas depois eu resolvo.
Porque na madrugada, tenho mais o que fazer.
Pensar demais, quase chorar, sorrir do nada, desenganar, entorpecer, quase morrer.
De pensar.
Ainda não me convenci. Do seu silêncio, da minha falta, do embaraçar.
Porque é nessas horas que tudo fica embaraçoso e interminável.
Pensar demais, querer demais, falar demais, achar demais, mas ter certeza. 
Depois, talvez.
O tempo realmente se arrasta no ócio da madrugada interminável, incontável, inabalável, incontestável. Testa de ferro. 
Pura desculpa pra o descontrole.
O descontrole dos dedos, dos nervos, do gosto, do novo.
T a q u i c a r d i a.
Assim, devagar, porém urgente. Dá pra entender?
Tentou sentir algo? Sentido algum? Eu sei!
Faltou o ar!
Cuspi tudo de uma vez, e só no fim me dei conta que prendia a respiração.
Mas é porque nessas horas não dá tempo de respirar.
Tudo é muito, é todo, é de uma vez só. E é sem fim.

Mas só porque a essa hora da madrugada, é que tudo some.

28/12/2014

A chave.



A calma.
O languido passar dos dedos, e o suspiro silencioso, quase doloroso.
O olho ávido pela carne. A língua seca do desejo.
Menos força, menos impacto, menos imediato.
Por hora, senta aqui, e melhora!

Respira: 1,       2,      3...
Assim mesmo, lento.. se demora.
Sente o vento na pele, a água, o cheiro..
Sente e espere que eu explico, mas não agora.
Agora, só melhora!

Caetane-se, mas por inteiro.
Senta aqui, e sente o impacto da leveza.
Seja, mereça, queira.
Com a força polida da calma.
Com a calma urgente de um arrepiar.

Verbalize o arrepio num sopro gelado.
Arraste-se sobre a pele, e descubra.
Descubra o cadeado, a chave.
Descubra o caminho dos poros, dos pelos!
A chave, na calma, chega devagar.
Mas por hora, senta aqui, olha, e melhora!

09/08/2014

Sobre acertar os ponteiros:

















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Cuidei, sorri, andei, amei.
Amei o ponteiro parado,  andei pelo quarto até cansar, sorri sozinha com a música certa, e cuidei de mim.
Pensei em fazer muita coisa, em te falar tantas outras, te chamar pra sentar e me ouvir cantar rouca.
Mas eu cantei alto, deitada de cara pro céu, fazendo tudo que eu quis, de olho fechado.
Com ponteiro parado!

Deitei no tempo e adulei um tanto pra ele ficar parado, do meu lado.
O dia se arrastou, e ele fez o que tinha que ser feito.

Parou, me olhou e passou.

Andou pro outro lado, pra eu não esquecer de acordar.
Correu de olho fechado, pra eu aprender a cuidar.
Cuidou do que ficou, e levou o que pesou. Lavou a cara!

Passou pro meu lado quando comecei a aprender.
A cuidar, sorrir, andar e amar.
Sem saber.